LD#76 | Os dois lados da Black Friday que ninguém te conta

Descubra os dois lados da Black Friday. Entenda para quais e-commerces faz sentido participar — e por que algumas lojas devem ficar de fora.

Novembro chega e, junto com ele, uma das decisões mais estratégicas do ano para qualquer loja virtual: participar ou não participar da Black Friday.

De um lado, vemos empresários empolgados, prontos para queimar estoque, aumentar o giro e transformar o mês em uma espécie de “13º faturamento”.

De outro, encontramos lojistas que simplesmente ignoram a data — e têm excelentes motivos para isso. Alguns não querem comprometer margens, outros não conversam com um público sensível a descontos, e há quem entenda que o esforço operacional não compensa.

Aqui na Bertholdo convivemos diariamente com os dois perfis. E o mais interessante: ambos fazem sentido, dependendo do modelo de negócio.

Nesta edição, vamos analisar essas duas visões — sem romantizar, sem demonizar e, principalmente, sem cair no “efeito manada” que toma conta de novembro.

A Black Friday funciona, sim.
Ignorar a Black Friday também funciona.
A grande questão é: para quem?

Como disse Michael Porter, estrategista referência mundial:

“Estratégia é fazer escolhas. E abrir mão é inevitável.”

Os dois lados da Black Friday

O lado de quem entra com força total na Black Friday

“Ganhar dinheiro é uma questão de fluxo. Quanto mais rápido você gira, mais forte você fica.” — Sam Walton

Existe um grupo de empresas que ama a Black Friday. E com razão.

São lojas que trabalham com:

  • Alto giro de estoque
  • Produtos não duráveis ou sem posicionamento premium
  • Excelente relação com fornecedores
  • Margens que permitem flexibilização
  • Estruturas internas acostumadas com volume
  • Estoques grandes que precisam girar antes do fim do ano
  • Público que espera promoção, compara preços e compra por impulso

Para esse perfil, a Black Friday é quase um 13º faturamento. E mais: uma oportunidade para aumentar LTV, ativar clientes antigos e atrair novos compradores com CAC reduzido.

Empresas assim entendem que a Black Friday não é só desconto. É:

  • Queima de estoque estagnado
  • Liquidez instantânea
  • Aumento de market share
  • Expansão da base de clientes
  • Escala para bater metas anuais
  • Redução de custo financeiro parado em estoque

E sim, muitas delas fazem promoção o ano inteiro — e apertam o acelerador em novembro.
Se dependesse delas, teria Black Friday todo mês.

O lado de quem nunca faz Black Friday — e está certo

“Posicionamento é aquilo que você aceita perder para manter quem você é.” — Marty Neumeier

Existe o outro lado. E este lado é igualmente racional.

Algumas empresas simplesmente não deveriam participar da Black Friday.
E não tem nada de errado nisso.

Geralmente são negócios com características como:

  • Produto premium, de alta margem e valor percebido
  • Marca forte e posicionada como luxo ou exclusividade
  • Mix de produtos sem espaço para desconto real
  • Custos rígidos ou operações artesanais
  • Estruturas que não suportam picos de demanda
  • Público que não compra por impulso
  • Estratégia de marca baseada em escassez, não volume

Para essas empresas, dar desconto é literalmente perder valor.
É confundir o cliente.
É treinar o público a esperar promoções.
É diluir a autoridade de uma marca construída a longo prazo.

E, principalmente, é jogar contra o próprio modelo de negócio.

Para esse perfil, a Black Friday não é oportunidade.
É distração.

Grandes marcas de luxo fazem isso há décadas.
Rolex não faz Black Friday.
Hermès não faz Black Friday.
E nunca farão.

Porque, como disse Jeff Bezos:

“Sua marca é aquilo que as pessoas dizem sobre você quando você não está na sala.”

Para algumas lojas, a pior coisa que pode ser dita é:

“Eu espero a Black Friday para comprar lá.”

Como identificar em qual lado sua loja está (ou deveria estar)

Aqui está o racional que usamos na Bertholdo com nossos clientes.

Se sua loja tem:

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  • Mix amplo
  • Rotatividade boa
  • Margem flexível
  • Dependência de giro
  • Clientes sensíveis a preço
  • Concorrência direta agressiva

➡️ Black Friday faz sentido. Porque ela empurra a empresa para frente.

Agora, se sua loja tem:

  • Produto premium
  • Baixa elasticidade de preço
  • Processo artesanal
  • Marca forte
  • Clientes que compram por desejo, não desconto
  • Margens estáveis e posicionamento claro

➡️ Black Friday não faz sentido. Porque ela puxa a empresa para baixo.

No final, a decisão é menos sobre novembro e mais sobre identidade.

Ou como diria Peter Drucker:

“O que mata um negócio não é aquilo que ele faz. É aquilo que ele insiste em fazer sem necessidade.”

Para quem a Black Friday é perigosa

Independente do lado, existe um grupo que precisa tomar cuidado:

  • Lojas sem margem definida
  • Negócios sem fluxo de caixa estável
  • Empresas com estoque pequeno
  • Lojas com operação frágil
  • Empreendedores que entram na Black Friday por pressão, não por estratégia

Esse é o perfil que mais sofre.

Promete desconto que não pode cumprir.
Vende com prejuízo.
Entrega atrasado.
Queima reputação.
E passa dezembro inteiro apagando incêndios.

Às vezes, o maior desconto que você pode fazer… é não participar.

A verdade final: estratégia é saber qual jogo você está jogando

A Black Friday não é uma religião.
Não é uma obrigação.
Não é um ritual que define se sua loja é “de verdade” ou não.

Ela é apenas uma ferramenta.

E ferramentas só funcionam quando usadas pela mão certa, no momento certo, com a estratégia certa.

Na Bertholdo, vemos isso todos os anos:

  • Clientes que dobram o faturamento em novembro.
  • Clientes que passam novembro em silêncio — e batem meta mesmo assim.

Ambos estão certos.
Ambos são estratégicos.
Ambos entendem quem são.

E é isso que quero deixar claro nesta edição:

O erro não está em fazer Black Friday.
O erro está em fazer Black Friday sem saber por quê.

AVISO FINAL:

Se você é lojista e não sabe qual caminho seguir — promoção agressiva ou posicionamento premium —, nós podemos te ajudar.

Na Mentoria Turbo e no Clube Loja, analisamos margens, posicionamento, comportamento do seu cliente, fluxo de caixa e perfil de produto para orientar a estratégia correta para sua realidade.

Sem achismo.
Sem copiar concorrente.
Sem cair no “efeito manada” de novembro.

👉 Se quiser clareza para decidir como sua loja deve atuar na Black Friday, pode contar comigo e com a Bertholdo.

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