Imagine vender R$ 1.000 e ver cair só R$ 750 na conta, sem desconto, sem estorno e sem erro do gateway. A partir de 2027, com o split payment da reforma tributária, esse vai ser o funcionamento normal para parte das vendas no Brasil. O imposto deixa de passar pelo seu caixa: ele é separado no momento do pagamento e vai direto para o governo.
A boa notícia: a mudança chega em etapas, e ainda dá tempo de se preparar sem correria. A má: lojas que dependem de nota fiscal emitida à mão, cadastro fiscal incompleto ou gateway sem plano de adaptação vão sentir no fluxo de caixa e na operação.
Neste post, você vai entender o que é o split payment, o cronograma confirmado até agora, o que muda na prática para quem vende online e um checklist para deixar sua loja WooCommerce, Magento ou Shopify pronta.

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ToggleO que é split payment
Split payment, ou “pagamento dividido”, é o mecanismo da reforma tributária que separa automaticamente o valor dos novos tributos sobre consumo no momento em que o pagamento é liquidado. Ele está previsto na Lei Complementar 214/2025 como uma das formas de recolher os dois novos tributos:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), federal, que substitui PIS, Cofins e IPI;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de estados e municípios, que substitui ICMS e ISS.
Na prática, quando o cliente paga, a instituição que processa o pagamento (banco, adquirente ou gateway) envia a fatia de CBS e IBS direto ao Fisco, e o restante segue para o vendedor. Segundo a Receita Federal, o objetivo é reduzir sonegação e fraude e dar mais segurança ao aproveitamento de créditos tributários por quem compra.
O ponto central é que o pagamento passa a ficar vinculado à nota fiscal. Sem documento fiscal correto, o sistema não sabe quanto separar.
Exemplo ilustrativo: uma venda de R$ 1.000 com R$ 250 de CBS e IBS destacados na nota. Hoje, os R$ 1.000 entram na conta da loja e o imposto é pago depois. Com o split payment, a loja recebe R$ 750 e os R$ 250 vão direto para o governo, já descontados os créditos que a empresa tiver direito, conforme a modalidade aplicada. (Os valores são hipotéticos, só para mostrar a lógica.)
O dinheiro do imposto nunca passa pela conta da loja: a divisão acontece no meio do caminho, dentro da instituição de pagamento.
Não confunda com o split de pagamento do gateway
Se você vende em marketplace ou tem loja com vários vendedores, provavelmente já ouviu falar em “split” por outro motivo. Gateways e intermediadores oferecem há anos a divisão de um pagamento entre vários recebedores, como a comissão do marketplace e o valor de cada lojista.
São coisas diferentes:
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Split do gateway (comercial) |
Split payment (tributário) |
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Quem define |
O lojista ou o marketplace |
A lei (LC 214/2025) e a Receita Federal |
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O que divide |
Valor entre vendedores, parceiros e comissões |
Valor da CBS e do IBS, que vai para o governo |
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Obrigatório? |
Não, é uma escolha de negócio |
Facultativo no início, com previsão de virar obrigatório |
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Depende da nota fiscal? |
Não |
Sim, o pagamento fica vinculado ao documento fiscal |
Na prática, as duas divisões vão conviver: o gateway vai precisar separar o imposto e também repartir o restante entre os recebedores.
Quando começa: o cronograma que já está na mesa
Respira: o split payment não vai mexer no Pix ou no cartão do seu cliente final em janeiro de 2027. A implantação é em etapas, e a primeira é pequena e opcional.
- 2026, ano de testes. A Receita Federal faz testes internos da plataforma, e bancos e instituições de pagamento desenvolvem e homologam suas integrações (Contábeis).
- Janeiro de 2027, CBS começa a valer. O novo tributo entra em vigor, mas a própria Receita já avisou que o split payment não estará completo nessa data.
- Segundo semestre de 2027, primeira fase do split. Opcional e só para vendas entre empresas (B2B), pagas por TED, TEF, boleto e Pix (inclusive Pix Automático). Cartão de crédito, débito e voucher ficam de fora, assim como vendas para pessoa física (Convergência Digital).
- Fases seguintes, sem data oficial. Uso obrigatório no B2B, depois cartões e vendas ao consumidor final (B2C). A imprensa noticiou que a Receita trabalha com 2028 para a obrigatoriedade (Mídiamax/Estadão), mas a Receita também afirmou que ainda não dá para cravar quando isso acontece.
- Até 2033, transição completa. CBS e IBS substituem de vez PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.
Tradução para o lojista: se você vende só para consumidor final e recebe no cartão, o impacto direto vem depois. Se você vende para empresas (atacado, B2B, revenda), ele pode chegar já em 2027. Em qualquer caso, quem adaptar loja, emissão de nota e meios de pagamento antes da obrigatoriedade não vai precisar correr depois.
O que muda na sua loja virtual
O maior impacto não é pagar mais imposto. É receber diferente. Quatro pontos merecem atenção:
1. Fluxo de caixa mais curto. Hoje muita loja usa o dinheiro do imposto como capital de giro por algumas semanas, até a data do recolhimento. Com o split payment, essa folga some: o valor do tributo nunca entra na conta. Quem compra estoque contando com esse dinheiro vai sentir primeiro.
2. Preço e margem precisam ser recalculados. Se a margem é calculada sobre o valor bruto recebido, ela vai parecer encolher do dia para a noite. Vale revisar a formação de preço com o contador antes que o novo modelo chegue à sua operação.
3. Nota fiscal e pagamento passam a andar juntos. O sistema só sabe quanto separar se a nota estiver correta e ligada ao pagamento. Na loja virtual, isso significa cadastro fiscal dos produtos em dia (NCM, classificação tributária) e emissão de nota integrada ao pedido, não feita à mão depois.
4. Conciliação financeira muda. O valor que cai do gateway não vai bater com o total do pedido. Relatórios, ERP e planilhas precisam enxergar três números por venda: valor total, imposto retido e valor líquido.
Um ponto positivo para quem vende no B2B: como o imposto é pago na hora, o crédito tributário do comprador fica mais seguro. Para empresas que compram de você, isso pode virar argumento de venda.

Como preparar sua loja WooCommerce, Magento ou Shopify
Você não precisa esperar a obrigatoriedade para agir. Leva menos de 15 minutos para descobrir em que ponto sua loja está. Marque o que já está resolvido:
- Cadastro fiscal dos produtos completo. Todo produto com NCM e dados tributários corretos, sem campo em branco.
- Nota fiscal emitida automaticamente a partir do pedido. No WooCommerce e no Magento, via plugin ou integração com ERP; no Shopify, via app de emissão.
- Gateway com plano para o split payment. Pergunte ao seu intermediador de pagamento como e quando ele vai se integrar à plataforma do governo. Quem não tiver resposta clara é um risco.
- Pix e boleto integrados à loja. São os primeiros meios a entrar no split payment; se você vende para empresas, eles devem estar funcionando sem gambiarra.
- Relatório que separa valor bruto, imposto e líquido. Sem isso, a conciliação vira dor de cabeça.
- Preço revisado com o contador. Simule a margem considerando que o imposto não passa mais pelo seu caixa.
- Separação entre vendas B2B e B2C. Se você atende os dois públicos, a loja precisa identificar CNPJ e CPF no checkout, porque as regras chegam em momentos diferentes.
Ficou com três ou mais itens desmarcados? É sinal de que sua loja depende de processos manuais que o novo modelo não vai tolerar. Comece por eles enquanto ainda é opcional, e não quando virar exigência.
Perguntas frequentes sobre split payment
O que é split payment? É o mecanismo da reforma tributária que separa automaticamente a CBS e o IBS no momento do pagamento e envia esse valor direto ao governo. O vendedor recebe só a parte que é dele.
Quando o split payment começa? A primeira fase está prevista para o segundo semestre de 2027, de forma opcional e apenas para vendas entre empresas pagas por Pix, boleto, TED ou TEF. Ainda não há data oficial para a obrigatoriedade.
O split payment vale para vendas no cartão de crédito? Não na primeira fase. Cartões de crédito, débito e voucher entram em etapas posteriores, ainda sem data definida.
Minha loja vende só para consumidor final. Preciso me preocupar agora? O impacto direto vem depois, mas a base precisa estar pronta antes: cadastro fiscal dos produtos, nota fiscal integrada ao pedido e um gateway preparado. Essas adaptações levam tempo.
O split payment aumenta o imposto da minha loja? Não. Ele muda a forma de recolher, não a alíquota. O que muda é o momento: o imposto sai na hora da venda, e não semanas depois.
Split payment é a mesma coisa que o split do Mercado Pago, Pagar.me ou outros gateways? Não. O split do gateway divide o pagamento entre vendedores e parceiros por escolha comercial. O split payment tributário separa o imposto por exigência legal.
Quem se adapta antes vende tranquilo depois
O split payment não é motivo para pânico, mas também não é assunto para deixar para 2028. A regra vai chegar por etapas, e cada etapa exige que loja, nota fiscal e meio de pagamento conversem sem intervenção manual. Quem começa agora ajusta com calma; quem espera a obrigatoriedade vai ajustar sob pressão, no meio das vendas.
A Bertholdo foi a primeira agência certificada WooCommerce do Brasil, é parceira oficial da Automattic e já entregou mais de 1.100 projetos de e-commerce desde 2015. Nossa equipe acompanha de perto as mudanças da reforma tributária para que as lojas dos nossos clientes estejam prontas antes da regra virar obrigação.
Quer saber se sua loja está pronta para o split payment? Fale com um especialista da Bertholdo no WhatsApp e receba uma análise da sua operação.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a orientação do seu contador. As regras do split payment ainda estão sendo regulamentadas pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS.







