Crescer em faturamento é motivo de orgulho, mas nem sempre de comemoração. Em muitos casos, o aumento das vendas vem acompanhado de custos e despesas que crescem na mesma proporção, ou até mais rapidamente. O resultado é um negócio que parece prosperar por fora, mas está fragilizado por dentro.
A precificação é uma das atividades mais importantes e, ao mesmo tempo, mais negligenciadas na gestão de empresas. Um erro pequeno na formação de preços pode comprometer toda a estrutura financeira e inviabilizar o crescimento sustentável.
De acordo com dados do Sebrae, cerca de metade das empresas brasileiras fecha as portas nos primeiros cinco anos de existência. Entre as principais causas está a falta de controle financeiro, e a precificação incorreta é parte central desse problema.
Neste artigo, você vai entender as bases e as estratégias modernas para precificar de forma correta, gerar lucro real e preparar sua empresa para crescer de forma saudável em 2025.
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Toggle1. A diferença entre faturamento e lucro
Faturar muito não é sinônimo de lucrar. O faturamento mostra quanto a empresa vendeu, mas não revela o quanto ela realmente ganhou. Já o lucro é o que sobra depois de pagar todas as despesas, custos e impostos.
Empresas que crescem focadas apenas em faturamento costumam ignorar margens apertadas, custos ocultos e o impacto das despesas variáveis. Com o tempo, isso leva à falta de caixa, dificuldade de reinvestimento e risco de endividamento.
A pergunta essencial é: o seu negócio está crescendo de forma sustentável ou apenas aparenta crescimento?
A precificação é o ponto de equilíbrio entre competitividade e rentabilidade. Ela conecta o planejamento financeiro ao posicionamento de mercado.

2. Margem de contribuição: o coração do lucro
Antes de definir preços, é essencial entender a Margem de Contribuição (MC) — um dos indicadores mais importantes para medir o quanto cada produto ou serviço contribui para cobrir as despesas fixas e gerar lucro.
A fórmula é simples, mas poderosa:
Margem de Contribuição = Valor de Venda - (Custos Variáveis + Despesas Variáveis)
Os custos variáveis estão diretamente ligados à produção ou revenda (como matéria-prima, mercadorias e frete de compra).
Já as despesas variáveis dependem do volume de vendas, como impostos, comissões e taxas de cartão.
Exemplo prático
Imagine uma loja que vende cadeiras online por R$ 250,00.
A estrutura de custos é a seguinte:
| Item | Valor (R$) | Tipo |
|---|---|---|
| Preço de Venda | 250,00 | Receita |
| Custo do Produto + Frete | -100,00 | Custo Variável |
| Impostos sobre a Venda (10%) | -25,00 | Despesa Variável |
| Comissão do Marketplace (15%) | -37,50 | Despesa Variável |
| Margem de Contribuição (MC) | 87,50 | Resultado Bruto por Unidade |
Esses R$ 87,50 representam o valor disponível para cobrir despesas fixas (como aluguel, salários e marketing) e gerar lucro líquido. Sem esse controle, é impossível saber se uma venda realmente contribui para a sustentabilidade do negócio.
3. Estratégias de precificação para o mercado de 2025
Com o aumento da competitividade e a digitalização do consumo, precificar bem deixou de ser apenas aplicar um percentual sobre o custo. Em 2025, a precificação é estratégica e baseada em dados, comportamento e valor percebido.
3.1 Precificação baseada em valor (Value-Based Pricing)
Essa abordagem considera o quanto o cliente percebe de valor no seu produto, e não apenas quanto ele custa para produzir ou revender.
Empresas que se posicionam dessa forma deixam de competir apenas por preço e passam a competir por valor.
Como aplicar:
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Entenda profundamente o perfil do seu cliente e o problema que o seu produto resolve.
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Identifique diferenciais que justifiquem um preço acima da média do mercado (qualidade, conveniência, marca, atendimento, suporte).
-
Comunique claramente esses diferenciais nas suas campanhas e canais de venda.
Quando o cliente entende o valor, o preço deixa de ser o principal fator de decisão.
3.2 Precificação dinâmica (Dynamic Pricing)
Essa técnica consiste em ajustar o preço de forma automática ou frequente, de acordo com fatores como demanda, concorrência, estoque e sazonalidade.
Ela é amplamente usada em e-commerces e marketplaces, e pode ser aplicada de forma inteligente com o uso de ferramentas de monitoramento de preço.
Vantagens:
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Permite reagir rapidamente a movimentos de mercado.
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Aumenta a margem em momentos de alta demanda.
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Ajuda a liquidar produtos com baixo giro de estoque.
O desafio está em equilibrar competitividade e percepção de valor. Alterações frequentes e sem critério podem gerar desconfiança no consumidor.
3.3 Precificação por segmentação
Nem todos os clientes, canais ou regiões devem pagar o mesmo preço.
A precificação por segmentação leva em conta variáveis como tipo de cliente, canal de venda e volume de compra.
Exemplos de aplicação:
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Preços diferentes no marketplace (com taxas mais altas) e no e-commerce próprio.
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Descontos exclusivos para clientes fiéis ou atacadistas.
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Condições diferenciadas para regiões com custos logísticos maiores.
Essa estratégia permite otimizar margens sem comprometer a competitividade em diferentes frentes de atuação.
4. Dicas práticas para melhorar a lucratividade
4.1 Foco na margem total, não no volume de vendas
É comum acreditar que vender mais é sempre melhor, mas o que realmente importa é quanto cada venda contribui para o resultado final.
Veja o exemplo abaixo:
| Cenário | Preço de Venda (R$) | MC (R$) | Volume de Vendas | Lucro Bruto Total (R$) |
|---|---|---|---|---|
| Original | 250,00 | 87,50 | 100 | 8.750,00 |
| Ajustado | 280,00 | 117,50 | 90 | 10.575,00 |
Ao aumentar o preço em R$ 30,00, a empresa perdeu 10 vendas, mas aumentou o lucro em R$ 1.825,00.
O foco deve ser sempre lucrar mais, não apenas vender mais.

4.2 Distribua as margens de forma estratégica
Nem todos os produtos precisam ter a mesma margem de lucro. Crie uma matriz de precificação que classifique seus produtos de acordo com o papel estratégico que exercem.
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Produtos Chamariz: Margem mais baixa, grande apelo comercial e alto volume de vendas.
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Produtos Estrela: Margem mais alta, diferenciais claros e menor concorrência.
O equilíbrio entre esses dois grupos é o que garante rentabilidade e giro de estoque.
4.3 Conheça e monitore o ponto de equilíbrio
O Ponto de Equilíbrio (PE) indica o volume mínimo de vendas necessário para cobrir todos os custos e despesas, sem gerar lucro nem prejuízo.
A partir dele, toda venda adicional representa lucro real.
A fórmula é a seguinte:
Ponto de Equilíbrio (R$) = Custos Fixos / Índice da Margem de Contribuição
Calcular o PE ajuda a definir metas de vendas, avaliar campanhas e planejar expansões com base em dados reais, não em suposições.
5. Precificação é um processo, não um projeto
Precificar corretamente não é uma tarefa pontual. É um processo contínuo, que deve ser revisado periodicamente conforme os custos, a concorrência e o comportamento do consumidor mudam.
Empresas que tratam a precificação como uma prática estratégica conseguem prever margens, ajustar-se ao mercado e manter crescimento sustentável, mesmo em períodos de instabilidade.
A revisão constante dos preços é também uma oportunidade de entender melhor o comportamento do cliente e testar novas abordagens de valor.
Conclusão
Em um mercado cada vez mais competitivo, o lucro depende de conhecimento, estratégia e análise.
A precificação é o elo entre todas essas dimensões, pois reflete a eficiência operacional, a percepção de valor do cliente e a inteligência de mercado.
Ao dominar conceitos como margem de contribuição, ponto de equilíbrio e precificação baseada em valor, sua empresa passa a ter controle sobre os resultados e não o contrário.
Em 2025, não basta vender. É preciso vender com lucro, propósito e previsibilidade.
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