Por que as mulheres estão crescendo tanto no e-commerce? Fomos atrás dos dados mais recentes e de histórias que mostram como elas estão transformando o varejo digital no Brasil.
As mulheres já são maioria entre os donos de lojas virtuais no Brasil. Na Nuvemshop, elas representam 56% dos lojistas online e foram responsáveis por 57,1% das lojas criadas nos dois primeiros meses de 2026. O e-commerce atrai empreendedoras porque exige menos capital inicial que uma loja física, permite flexibilidade de horário e vende para o Brasil inteiro, muitas vezes com Instagram e WhatsApp como principais canais.

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ToggleO que os dados mostram sobre as mulheres no e-commerce
As mulheres são maioria entre os donos de lojas virtuais no Brasil, e a participação delas cresce ano após ano. Os principais números:
- 10,4 milhões de mulheres donas de negócios no Brasil em dezembro de 2025, o maior número da série histórica, segundo levantamento do Sebrae com base na PNAD Contínua do IBGE.
- 56% dos lojistas online são mulheres, segundo a Nuvemshop. Nos dois primeiros meses de 2026, elas criaram 31,6 mil lojas virtuais na plataforma, 57,1% de todas as novas lojas do período.
- 62% dos fundadores de lojas ativas são mulheres, de acordo com o relatório NuvemCommerce 2026.
- De 19% para 46% em dez anos: essa foi a evolução da participação de negócios digitais liderados por mulheres na Hotmart entre 2015 e 2025.
Em quais segmentos elas lideram
Na base da Nuvemshop, os nichos com maior presença feminina são:
|
Segmento |
Lojas comandadas por mulheres |
|---|---|
|
Materiais de escritório |
83,4% |
|
Bem-estar íntimo |
82,1% |
|
Arte |
81,1% |
|
Joias |
81% |
|
Vestuário |
79,4% |
Minas Gerais é o segundo estado com mais lojistas mulheres na plataforma: são 5,5 mil empreendedoras, 71,4% dos lojistas do estado, atrás apenas de São Paulo em número absoluto.
Os desafios que elas enfrentam
O crescimento convive com obstáculos reais. Segundo o estudo NuvemCommerce 2025, mais de 66% das empreendedoras online tocam o negócio sozinhas. As maiores dificuldades citadas foram:
- Capital limitado para investir (42%)
- Falta de tempo (37%)
- Dificuldade com tecnologia (37%)
O acesso a crédito também pesa: segundo o Panorama do Empreendedorismo Feminino no Brasil, 42% das empreendedoras que pediram empréstimo tiveram o pedido negado.
Por que o e-commerce atrai tantas empreendedoras
- Investimento inicial menor do que abrir uma loja física, sem aluguel de ponto.
- Flexibilidade de horário, importante para quem concilia o negócio com outras responsabilidades.
- Alcance nacional desde o primeiro dia de loja no ar.
- Venda pelas redes sociais: segundo o NuvemCommerce 2025, 97% das lojistas usam o Instagram para divulgar, e 76% investem em anúncios pagos, principalmente no Instagram Ads (62%).

Mulheres que são referência no varejo digital
Luiza Helena Trajano e o Magazine Luiza
A história do Magalu começa com duas mulheres. Em 1957, Luiza Trajano Donato comprou uma pequena loja de presentes em Franca (SP) chamada A Cristaleira. O novo nome, Magazine Luiza, foi escolhido em um concurso numa rádio local.
A sobrinha, Luiza Helena Trajano, começou a trabalhar no balcão aos 12 anos e, sob sua liderança, a rede virou uma das maiores varejistas do país. Ela apostou cedo no digital: ainda antes da internet popular, criou lojas sem estoque exposto, onde o cliente comprava por computador. Hoje, Luiza Helena preside o Conselho de Administração do Magalu, que tem cerca de 1.250 lojas em 20 estados e um app com mais de 50 milhões de usuários ativos por mês. O filho, Frederico Trajano, é CEO desde 2016.
Um episódio mostra o estilo dela: em 2016, Luiza levou um tombo ao carregar a tocha olímpica em Franca. Levantou, seguiu sorrindo e acenando, e o momento virou assunto nacional. A lição para quem vende online é que proximidade e bom humor com o público constroem marca.
Além do Magalu, ela lidera o Grupo Mulheres do Brasil, que apoia o empreendedorismo e a liderança feminina.

Niina Secrets: de influenciadora a marca de beleza
Niina Secrets transformou uma audiência de mais de 3,8 milhões de seguidores no Instagram em uma linha própria de maquiagem e skincare em parceria com a Eudora, marca do Grupo Boticário. Os produtos são vendidos online e em grandes varejistas.
O que sustenta o negócio, segundo a própria criadora, é a conexão com a comunidade: as seguidoras participam da criação dos produtos e ajudam a definir os lançamentos.

O que essas histórias ensinam
- Comunidade antes do produto: quem conhece o público vende com menos esforço.
- Digital como canal principal, não acessório: as duas trajetórias cresceram ao tratar a venda online como prioridade.
- Autenticidade vende: erros, bastidores e conversa direta aproximam a marca do cliente.
6 dicas para empreendedoras venderem mais no e-commerce
1. Tenha um site próprio, além das redes sociais
Instagram e WhatsApp são ótimos para atrair clientes, mas você não controla o algoritmo. Uma loja virtual própria garante catálogo organizado, pagamento seguro, dados dos clientes e uma marca que não depende de uma única rede.
2. Automatize o que rouba seu tempo
Se a falta de tempo é um dos maiores obstáculos, a tecnologia é aliada. Cálculo de frete, emissão de nota fiscal, e-mails de carrinho abandonado e respostas frequentes no WhatsApp podem rodar sozinhos. Segundo o NuvemCommerce 2026, 45% dos lojistas já usam inteligência artificial como apoio na gestão.
3. Diversifique o mix com critério
Ampliar o catálogo ajuda a aumentar o tíquete médio, desde que os novos produtos conversem com o público atual. Kits e produtos complementares costumam funcionar melhor do que categorias totalmente novas.
4. Use o frete grátis a seu favor
Frete grátis segue sendo o principal critério de escolha de uma loja online para 60% dos consumidores, segundo pesquisa da CNDL e do SPC Brasil de 2026. Ofereça a partir de um valor mínimo um pouco acima do seu tíquete médio para proteger a margem.
5. Planeje as promoções pelo calendário
Dia da Mulher (8 de março), Dia do Consumidor (15 de março), Dia das Mães, Black Friday e Natal concentram boa parte das vendas do ano. Defina as campanhas com antecedência para não depender de descontos de última hora.
6. Busque rede e capacitação
Como a maioria das empreendedoras trabalha sozinha, trocar experiências faz diferença. Programas como o Sebrae Delas e grupos como o Mulheres do Brasil oferecem conteúdo, mentoria e contatos.
Perguntas frequentes sobre mulheres no e-commerce
Quantas mulheres empreendem no Brasil?
Segundo o Sebrae, o Brasil tinha cerca de 10,4 milhões de mulheres donas de negócios em dezembro de 2025, o maior número da série histórica.
As mulheres são maioria no e-commerce?
Sim. Na Nuvemshop, uma das maiores plataformas de lojas virtuais para pequenas e médias empresas do país, 56% dos lojistas online são mulheres, e elas representam 62% dos fundadores de lojas ativas.
Quais produtos as empreendedoras mais vendem online?
Os segmentos com maior presença feminina incluem materiais de escritório, bem-estar íntimo, arte, joias e vestuário, todos com cerca de 80% de lojas comandadas por mulheres.
Qual o maior desafio de quem empreende sozinha no e-commerce?
Capital limitado, falta de tempo e dificuldade com tecnologia lideram a lista. Automatizar tarefas repetitivas e contar com parceiros especializados na parte técnica libera tempo para o que mais importa: produto e cliente.
Preciso de muito dinheiro para abrir uma loja virtual?
Não necessariamente. Uma loja virtual exige menos investimento inicial que uma loja física. O mais importante é escolher uma plataforma que acompanhe o crescimento do negócio para não precisar trocar tudo depois.
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